Riso e lágrimas

Por 4 de setembro de 2014Inicial

De certo ponto de vista, não muito mais que choro e riso, alegria e tristeza compõem nossas vidas. Falando sério, pouco além do fluxo de decomposição das lágrimas e da solidez de verdades quase sempre risíveis — a que acabamos por chamar de “realidade” — constrói para nós, pouco a pouco, o sentido de nossas vidas. Pranto e risadas, como gritos e sussurros, levam-nos aos extremos de nós mesmos. Traduzem dor e delícia, formando, em suas diversas modulações, as imagens paradoxais do que somos, nas quais estamos refletidos. Solve et coagula. Na extraordinária visão junguiana, chamaríamos isto de alma, a experiência viva da psique, sem a qual, rigorosamente, não sentimos a existência.

Editorial em Cadernos Junguianos # 4, 2008