IMAGINANDO O TRABALHO

Por 28 de julho de 2016Inicial

Os que dormem são trabalhadores.
—Heráclito, Frag. 75

I. A imaginação do trabalho

Num campo simbólico onde se amarram sentidos e práticas, a imaginação do trabalho funde-se com o trabalho da imaginação. Assim, o trabalho é um tema por excelência da psicologia profunda, desde Freud e Jung, Bachelard até James Hillman e a psicologia arquetípica, especialmente com sua noção central de cultivo da alma (soul making), que é, justamente, o trabalho de fazer alma.

Fazer alma é um trabalho, ainda que trabalhar esteja hoje cada vez mais longe, muito longe da alma. Em nosso tempo, trabalho e lazer vivem uma cisão só comparável àquela entre trabalho e prazer. Se experimentamos esses impulsos como irreconciliáveis, quero crer que certamente o problema se encontra antes na imaginação do trabalho.

Trabalho psíquico, trabalho do sonho, trabalho alquímico, trabalho da psicoterapia, trabalho das resistências, trabalho das amplificações, trabalho da linguagem. Trabalho feito, trabalho que dá. Trabalho do corpo, trabalho do coração. Trabalho da paciência. Dia do Trabalho. Central dos trabalhadores, sindicatos e partidos dos trabalhadores. Agências de emprego, legislação trabalhista, exploração do trabalho. Mercado de trabalho, acidentes de trabalho, divisão do trabalho. Emprego, desemprego, direito ao trabalho. Trabalho manual, trabalho intelectual. Trabalho infantil, trabalho escravo, trabalho voluntário. Remunerado, autônomo, voluntário. Horários, honorários, salários. Gratificações, gorjetas. Todo o complicado capítulo da previdência, pública e privada. As tensões entre negócio e ócio. A cigarra e a formiga. A foice e o martelo. Os 12 trabalhos de Hércules. O mito de Prometeu, os trabalhos de Psiquê. Hefesto, na mitologia grega, o único Deus que trabalha, que tem uma oficina. O complexo do trabalho nos envolve sempre, pulsando muitas vezes com fantasias possivelmente mais trabalhosas, mais complexas e mais inconscientes que, ouso dizer, as sexuais.

Em qualquer agrupamento de animais, sejam do porte ou classe que forem, é sempre possível observar um comportamento ou atividade que pode ser entendida como trabalho. O trabalho já serviu para relações de dominação e subjugação entre os homens, e entre os homens e a natureza. A escravidão é o limite louco dessas relações. Na Grécia Antiga, o trabalho era desvalorizado por ser feito pelos escravos, e na tradição judaico-cristã o trabalho manual sempre esteve ligado a uma imagem negativa. Com a Revolução Industrial e o capitalismo, o trabalho se torna finalmente uma mercadoria. Com Hannah Arendt, entendemos a diferença entre “labor” e “trabalho,” entre animal laborans e homo faber, ou seja, entre atividades ligadas à necessidade de subsistência e uma atividade onde a natureza vira cultura (ou, diríamos, psique).

A maioria de nós passa a maior parte de seu tempo de vida no trabalho, e passamos frequentemente mais horas do dia com colegas de trabalho do que com aqueles que amamos. E sabemos que para a maioria das pessoas, no mundo todo, trabalho é sinônimo de insatisfação.

Por outro lado, nossa era psicológica viu surgir um tipo totalmente novo de cidadão: o workaholic — que poderíamos traduzir como “trabalhólatra” — o sujeito viciado em trabalho, aquele para quem o trabalho meteu-se no lugar da fruição de outros desejos, tapando lacunas não reconhecidas.

Podemos experimentar o trabalho atravessado por muitas fantasias arquetípicas: prazer, justiça, beleza, jogo, brincadeira, luta, conquista, sofrimento, trapaça, tempo. Ou seja, o modo como inconscientemente imaginamos o trabalho afeta diretamente o modo como experimentamos as atividades que, ao longo da vida, chamamos de trabalho. O jogo politeísta da alma está presente aqui tão intensamente quanto em outras dimensões arquetípicas da existência: o sexo, a morte, o amor, a cidade, a religião, a família.

O vastíssimo tema do trabalho esconde as armadilhas mais perigosas. Nesse campo, distinguimos hoje a equação em que se opõem para nós “tempo de trabalho” e “tempo livre.” Essa linguagem já denuncia muita coisa. Nessa lógica, estar livre é estar, momentaneamente ao menos, sem trabalho, sem ter que trabalhar. O trabalho, portanto, determina um aprisionamento. Mas estar sem trabalho é estar verdadeiramente livre (ou pronto) para o quê? Sabemos que, muitas vezes, para a maioria das pessoas existe aí, quando acaba o trabalho, um abismo, uma vertigem, seja no final da vida, seja no final da semana. Trabalhar, então, é estar necessariamente preso a uma complexa cadeia de significações que inclui auto-estima, produtividade, encaixe social, noções importantes de dignidade, de sentido de existência e, principalmente, poder estar envolvido hoje na construção de uma felicidade privada por sua vez fortemente relacionada à fluidez do acesso aos bens de consumo, que assim se tornam índices de bem-estar.

Mas acredito que para a psicologia a pergunta fundamental permanece: qual a função do trabalho? A psicologia arquetípica tem sugestões poderosas com a quais certamente podemos construir uma outra compreensão das nossas noções de trabalho. Essa compreensão põe o dedo na ferida que cindiu para nós trabalho e prazer, trabalho e brincadeira, condenando essas dimensões da existência a uma polarização perigosa entre aprisionamento e liberdade. Essas reflexões começam com James Hillman sugerindo vermos o trabalho como um instinto que requer gratificação. Instinto do trabalho. Afirmações que viram em definitivo nosso tema rumo a uma articulação de fato mais psicológica. Vejamos:

 

Nós falamos do instinto sexual, do instinto da fome, ou do instinto agressivo: o que é o instinto do trabalho? Acredito que há um instinto do trabalho; foi ele que desenvolveu a civilização humana… (…) Precisamos falar do instinto do trabalho, não da ética do trabalho. (…) …falar do trabalho como um prazer, como uma gratificação instintiva… as próprias mãos querem fazer coisas, e a mente adora ser aproveitada. O trabalho é irredutível. (…) O trabalho é um fim em si mesmo e traz sua própria alegria.[1]

 

A função do trabalho é ser um fim em si mesmo. A partir disso, podemos rever nossa imaginação do trabalho não mais apenas com as lentes econômico-sociais que o enquadram na perspectiva depreciativa da alienação, da exploração, do enfado e da fadiga (a perspectiva, por assim dizer, “marxista”); nem com as lentes morais monoteístas que o enquadram, por outro lado, na perspectiva virtuosa da obrigação ética, aquela perspectiva que serve à fantasia espiritual do crescimento ilimitado e esforçado, e da nobreza da conduta socialmente útil (a perspectiva, por assim dizer, “protestante”).

Esses modos de ver — cada um a seu tempo mas ambos igualmente — convidam a imagem arquetípica do herói lutador, Hércules e seus esforços, para quem as dimensões da brincadeira, do jogo e do prazer estão interditadas. A imaginação profunda do herói/lutador, com sua retórica de competição, vitória, glorificação do resultado, do esforço e da realização — como também seu isolamento e sua solidão — prevalece no campo psíquico de nossos dias. Essa imagem afeta o modo como trabalhamos.

Por causa disso, inclusive, o trabalho também se abre como um novo campo para o sofrimento. Da exaustão psíquica (burn out) aos níveis mais elevados de estresse, das dores osteomusculares aos assédios morais e sexuais, das depressões e ansiedades à toda a gama de possíveis psicossomatizações, as relações com o trabalho, bem como as relações de trabalho e suas várias experiências, passaram a fornecer, para a sociedade hipermoderna,[2] patologizações bastante específicas, fazendo dele, além do mais, um “problema,” social e individual, criando e convidando modos cada vez mais originais de intervenções terapêuticas: surge agora toda uma clínica do trabalho (sem falarmos, é claro, das mais tradicionais “terapias ocupacionais”).

 

Devemos dissociar ‘trabalho’ do labor hercúleo e retornar a idéia de trabalho ao exemplo do sonho, onde o trabalho é uma atividade imaginativa, um trabalho de imaginação tal qual o que ocorre com pintores e escritores. (…) Na imaginação não há separação entre trabalho e jogo, realidade e prazer.[3]

 

No meu entender, as considerações da psicologia arquetípica tentam reconciliar homo faber e homo ludens, aquele que faz com aquele que brinca, trabalho e jogo, abrindo na imaginação novamente a possibilidade de uma ponte entre o criativo e o recreativo. O peso cultural que normalmente os separa está, quero insistir, antes nas fantasias que sustentam nossa noção de trabalho, na imaginação do trabalho. É lá que se encontra a raiz e a possível solução do problema. A mentalidade que os separa, que não entendeu serem eles a mesma coisa, é a mentalidade que está por trás do adoecimento da idéia de trabalho em cada um de nós. Mas o trabalho da imaginação mostra que não há separação.

 

 

II. A noção de trabalho na psicoterapia analítica

Temos que ter uma fantasia do trabalho para que ele possa acontecer, já disse James Hillman. Na verdade, sabemos que elas, as fantasias, estão sempre lá, em qualquer atividade, ainda que não percebidas. Agora quero mais diretamente perguntar: qual então a fantasia do trabalho na psicoterapia analítica? Muitas, evidentemente. Nesse ponto, o campo da psicologia mostra claramente sua vocação múltipla, vocação politeísta: muitos são os Deuses, as personificações, as imagens e as pessoas arquetípicas que aparecem no trabalho com a psique. Muitos são os arquétipos a fundamentar e guiar nosso trabalho psicoterapêutico: Hércules, Dioniso, Héstia, Eros, Apolo, Hermes — mitos da análise, já bastante examinados. Também administrador, enfermeiro, médico, curador, organizador, faxineiro, guru, conselheiro, mestre, produtor, professor, assessor, consultor, legislador, estrategista estão entre algumas das possíveis imagens que podem reunir as fantasias mais frequentes do trabalho com a psique. Quase sempre, estão embutidas de modo inconsciente na imagem maior do “terapeuta,” therapon, que é, segundo a raiz etimológica, de fato um servo, um servidor, um atendente — outra imagem arquetípica.

Na psicanálise, trabalho e alma estão juntos desde que uma idéia de “trabalho psíquico” foi introduzida por Freud na psicologia profunda com relação aos sonhos, já em 1900, em seu Traumdeutung: um conjunto de operações que “transformam os materiais do sonho (estímulos corporais, restos diurnos, pensamentos do sonho) num produto”[4] foi definido como trabalho do sonho (Traumarbeit). Esse “produto” é o sonho manifesto. Essa transformação é o trabalho do sonho; “Freud usa esse termo para designar uma série de operações mentais peculiares que ocorrem durante a noite: condensação, deslocamento, regressão, arcaização, simbolização, superdeterminação, reversão, distorção.”[5] Aqui, somos forçados a pensar se o que define o trabalho, via de regra, é a transformação ou a criação. O trabalho, e portanto também o trabalho analítico, cria algo ou simplesmente transforma o que já existe? Nitidamente, para a psicanálise o trabalho da psique é de transformação, seja no sonho, seja no sintoma, e não haveria nada de essencialmente criativo nela. A idéia de uma psique criativa, no sentido de algo que se cria a si mesmo por meio de processos de construção e destruição, virá somente com a contribuição junguiana.

Ainda na psicanálise, o que a psique faz é um trabalho na importante expressão “elaboração psíquica,” utilizada por Freud, e por todos nós depois dele, para “designar, em diversos contextos, o trabalho realizado pelo aparelho psíquico com o fim de dominar as excitações que chegam até ele e cuja acumulação ameaça ser patogênica. Esse trabalho consiste em integrar as excitações no psiquismo e em estabelecer entre elas conexões associativas.”[6]

Na psicologia analítica, por outro lado, foi a alquimia, dividida entre theoria e practica, entre oratório e laboratório, meditação e obra, a mais importante referência histórica e a mais poderosa metáfora para ancorar uma idéia de trabalho. Para Jung, “um dos grandes valores da alquima como um modelo para o trabalho psicológico é precisamente que a alquimia é um opus, um trabalho com materiais.”[7] A idéia de opus, de uma obra a ser realizada, trouxe para a imaginação da psicoterapia junguiana uma referência ao mesmo tempo mais precisamente material (substâncias, metais, recipientes, sais, criaturas, bizarrices) e mais ambiguamente metafórica (operações, transformações, metas, cores). “A base da alquimia é a obra (opus),” disse Jung.[8] A própria linguagem da alquimia é a linguagem do trabalho: as operações, o artífice, as metas, a transformação, o laboratório, a obra.

Com Jung, a referência unilateralmente científica de nosso trabalho pode ser abandonada. A escolha da alquimia como um modelo paradigmático reforça isso. Alquimia é arte (apesar da fantasia pré-científica): arte da mistura, da dosagem, do tempo, do fogo, do conhecimento do comportamento dos materiais. Arte que, para realizar-se plenamente, necessita inegavelmente de um elemento para além da atitude puramente intelectual, elemento indispensável que Jung sempre enfatizou e chamou de função sentimento ou coração.[9]

Mais recentemente, na psicologia arquetípica uma fantasia essencial se sobrepõe na imaginação do trabalho: aquela do artesão. O artesão é um desdobramento do artífice alquímico. Devemos explorar as ramificações de seu sentido nesse contexto. Essa imagem dá maior precisão à compreensão que podemos ter de sua idéia principal sobre o trabalho com a psique, a de soul making, fazer alma. “Fazer alma” resume, para a psicologia arquetípica, o motivo essencial e a preocupação de base de qualquer trabalho psicológico. Esse “fazer” nutre-se diretamente do imaginário ao mesmo tempo mais profundo e mais ancestral da artesania, a habilidade dos artesãos, que então teriam mais a nos ensinar sobre o trabalho com a “coisa” psíquica do que os modos que a racionalidade positiva e a mentalidade científica puderam nos dar.

Com essa imagem, retoma-se naturalmente uma idéia de “obra,” mas agora em bases menos espirituais, e mais modestas:

 

…vamos ligar opus a habilidade, a fazer alguma coisa. É isto que poiesis significa: fazer. Então, quando falo de fazer alma, estou imaginando a opus da alma como um trabalho que é semelhante a um artesanato, cujos modelos viriam das artes. (…) A opus não é apenas o produto, mas a maneira como [se trabalha].[10]

 

A opus da alma como artesanato coloca a noção de trabalho da psicoterapia analítica numa base ao mesmo tempo mais sensorial e menos racional. Traz para esse trabalho um imaginário menos carregado das obrigações morais da ciência e mais ligado às representações mais ancestrais do carpinteiro, do ferreiro, do ceramista e da tecelã, bem como das confrarias de advinhos, de arautos, de curandeiros,[11] que requerem, por sua vez, apenas e essencialmente experiência e destreza, disposição e habilidade.

Essas representações nos apresentam mais diretamente a dialética das mãos.

 

 

III. As mãos

As mãos estão no centro de nosso tema. “As mãos governam o trabalho” (Hillman), o que me parece querer dizer que elas carregam a imagem arquetípica do trabalho. A mão faz, realiza, forja, altera, modifica. Ela institui o homo faber. Ela é mística: ora. Ela é fazedora: labora. Trabalho do espírito e trabalho da carne. Prece e coisa, espírito e matéria, tudo a mão faz. E tudo o que é feito à mão revela mais profundamente a alma do trabalho, revela o dom.

Devemos entender seu logos. Para a lógica das mãos, importante é aquilo que pode ser tocado. Ela ensina e nos inicia na dimensão da palpabilidade. A mão indica o que é palpável. Para a mão, é realidade o que for palpável. Sua é uma alma tátil, alma que ama o sólido, ama a matéria.

Como um prolongamento do cérebro, ela entende a matéria como ofício. Como um prolongamento do coração, ela entende a matéria como arte. Artes e ofícios. Dois lados, dois hemisférios: duas são as mãos. Razão e emoção, função e canção.

Os dedos fazem a mão trabalhadora, e lembram que a mão é politeísta: em cada dedo um planeta, uma energia, um mistério e uma força. O polegar é de Vênus, o indicador é de Júpiter, o médio é do Sol; e o mindinho é o dedo de Mercúrio, esse Hermes-criança que temos na ponta da mão, quase esquecido. Em cada dedo um órgão do corpo: cabeça, vesícula, baço, fígado, coração. Em cada dedo um Deus, dedos e deuses fazendo trabalho, trabalho dos dedos fazendo a mão falar, ouvir, ver.

Com as mãos, com a artesania, uma imaginação mais metaforicamente material incide em nosso trabalho com a psique, ao modo alquímico, afastando-nos das tão perigosas noções médicas, tais como cura, tratamento ou melhora, ligando-nos a um modo de agir que põe sua ênfase no “moldar, manejar e fazer algo com a coisa psíquica, (…) uma psicologia artesanal”[12] [itálico meu], cujos modelos estão nas artes. Ou, como já se disse, analogias visíveis para um trabalho invisível.

E por falar em trabalho “invisível,” o sonho sirva de exemplo. Tomando então o sonho como a apresentação mais paradigmática do trabalho da psique (para o qual, sabemos, Hillman também trouxe a imagem arquetípica do bricoleur[13]), gostaria de finalizar essas breves reflexões com a citação de Heráclito que me serviu de epígrafe, o célebre Fragmento 75. Os Fragmentos de Heráclito são enigmáticos e funcionam como koans para a mente ocidental. Este nos diz: “os que dormem são trabalhadores… e cooperam nas obras que acontecem no mundo.” A psique trabalhadora encontra aqui sua expressão, e todos os alinhamentos que pude fazer desembocam nesta constatação: sempre brincando, muito mais a alma trabalha em nós do que nós trabalhamos nela.

[1] James Hillman, Entre Vistas: conversas com Laura Pozzo sobre psicoterapia, biografia, amor, alma, sonhos, trabalho, imaginação e o estado da cultura, tradução de Lucia Rosenberg e Gustavo Barcellos, São Paulo: Summus Editorial, 1989, pp. 168, 169, 173.

[2] G. Lipovetsky, Os tempos hipermodernos, São Paulo: Editora Barcarolla, 2004.

[3] James Hillman, The Dream and the Underworld, Nova York: Harper & Row, 1979, p. 118 [O sonho e o mundo das trevas, tradução de Gustavo Barcellos, Petrópolis: Editora Vozes, 2013].

[4] J. Laplanche e J.-B. Pontalis, Vocabulário da psicanálise, São Paulo: Martins Fontes, 1982, p. 664.

[5] James Hillman, The Dream and the Underworld, Nova York: Harper & Row, 1979, p. 94.

[6] J. Laplanche e J.-B. Pontalis, op. cit., São Paulo: Martins Fontes, 1982, p. 196.

[7] J. Hillman, The dream and the underworld, Nova York: Harper & Row, 1979, p. 138.

[8] C. G. Jung, OC 12, §401.

[9] C. G. Jung, OC 16, §§486-488.

[10] James Hillman, Entre Vistas, p. 174.

[11] J-P. Vernant, Mito e pensamento entre os gregos, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990, p. 358.

[12] James Hillman, The dream and the Underworld, Nova York: Harper & Row, 1979, p. 138; “O cultivo de alma é como qualquer outra atividade imaginativa. Requer artefato, assim como a política, a agricultura, as artes, as relações amorosas, a guerra ou a conquista de qualquer recurso natural,” idem, p. 129.

[13] Na obra de James Hillman, o locus de referência para a imagem arquetípica do bricoleur como uma analogia para o trabalho da psique é o livro The dream and the Underworld [O sonho e o mundo das trevas], de 1979: “…o bricoleur do sonho é um trabalhador manual, que toma os pedaços de lixo abandonados pelo dia e brinca com eles, juntando os resíduos numa colagem. Ao mesmo tempo que os dedos que formam um sonho destroem o sentido original desses resíduos, também os formam num novo sentido dentro de um novo contexto”, op. cit., pp. 127-128.