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M de montanha

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Numa ensolarada tarde de Abril, com sua luz suave de outono banhando pacificamente o mobiliário, sentado na biblioteca do Sítio Pedra Grande, deixando-me impregnar pelo silêncio profundo e perfumado que vem das montanhas da Mantiqueira ao redor, encontrei-me com este finalzinho de parágrafo de Michel de Montaigne, trecho de seus volumosos Ensaios.

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Fracasso

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Erros, fracassos, falhas, deslizes, perdas, disfunções, malogros, descaminhos, desilusões, derrotas, bancarrotas, falências, quedas, colapsos, traições, descalabros, desajustes, faltas, naufrágios, decepções, e a lista vai longe. Há toda uma linguagem para chamar e imaginar o que não funciona. Deparamo-nos constantemente com ela. Pois não é esta a composição básica do dia-a-dia de nossos consultórios?

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A VIDA PSICOLÓGICA

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Mini ensaio: tenho gostado de escrever os mini ensaios, são muito atraentes. Escrevê-los novos ou retirá-los do que já escrevi, como fragmentos, às vezes modificando algo. Concisos e poderosos a seu modo, neles pode haver muita sugestão de sentidos em pouco tempo/espaço. O mini ensaio está para o ensaio assim como o hai-kai está para o poema longo. O mini ensaio é o hai-kai da prosa.

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AS-MAOS

AS MÃOS

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“As mãos governam o trabalho,” disse James Hillman, o que quer dizer que as mãos carregam a imagem arquetípica do trabalho. A mão faz, realiza, forja, modifica. Ela institui o homo faber. Ela é mística: ora. Ela é fazedora: labora.

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A VERTIGEM DAS GAVETAS

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Todos temos nossas gavetas. Não há uma vida sem gavetas, e elas estão por toda a parte. Temos gavetas arrumadas (inclusive alfabeticamente), onde mora nossa solidão, e gavetas desarrumadas (inclusive pelos outros), onde mora nossa confusão. Cada uma tem sua função simbólica. O que está guardado nelas?

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LUGAR

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Podemos aproveitar as importantes chaves que uma reflexão sobre a importância da noção de lugar nos dá, em contraste com nossa noção mais comum, no pensamento filosófico e na vida diária, de espaço.

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O LADO ESQUERDO DO PEITO

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Da fratria à philia, desenha-se na alma um percurso que, ao mesmo tempo em que amplia seu horizonte afetivo, também traz para perto, para dentro, aproxima e ensina as lições da intimidade. Esse percurso se chama amizade. Muitas são suas metáforas, seus símbolos, suas imagens, que apresentam aquele que já foi entendido, num plano individual, como o mais elevado eros de que a experiência humana é capaz.

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O AMOR NEGRO

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No amplo espectro da literatura erótica no Ocidente, e à sombra enigmática da imensa figura do Marques de Sade, a História do olho, de Georges Bataille, A história de Vivant Lanon, de Marc Cholodenko, e Cartas de um sedutor, de Hilda Hilst, são obras que apresentam, no século XX, e cada uma a seu modo, os caminhos tortuosos e difíceis que a alma percorre quando seu amor apresenta-se desviante, perverso, intolerável.

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